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Lama, quase R$ 10 milhões em gastos e suspeita de contaminação ambiental cercam denúncias sobre o cemitério Jardim da Saudade 2

Vereadores cobram investigação sobre obra milionária em Parauapebas, questionam aplicação dos recursos públicos, denunciam precariedade estrutural e alertam para possível risco ao lençol freático e ao Rio Parauapebas

Por Portal Pebao

A construção do cemitério Jardim da Saudade 2, localizado na Rodovia Faruk Salmen, no bairro Vila Rica, em Parauapebas, se tornou alvo de fortes denúncias políticas e revolta popular diante de questionamentos sobre gastos milionários, abandono estrutural e possíveis riscos ambientais.

O contrato inicial da obra foi firmado em R$ 4.437.942,65. Posteriormente, foram acrescentados aditivos de R$ 146.517,03 e mais R$ 4.969.092,05, elevando o custo estimado total para R$ 9.553.551,73 — valor próximo de R$ 10 milhões.

 Cemitério Jardim da Saudade II

Durante sessão na Câmara, a vereadora Maquivalda Barros cobrou explicações detalhadas sobre a aplicação dos recursos, questionando onde efetivamente foram empregados os valores milionários já destinados ao empreendimento.

O vereador Zé do Bode afirmou que a estrutura visível no local não demonstra compatibilidade com o investimento realizado, destacando que qualquer cidadão, mesmo sem formação técnica em construção civil, consegue perceber que o espaço não aparenta ter recebido quase R$ 5 milhões em obras iniciais. O parlamentar também fez apelo ao Ministério Público para investigar o contrato da empresa responsável e os sucessivos aditivos que elevaram drasticamente o custo do projeto.

Além dos questionamentos financeiros, a situação estrutural do local tem gerado forte repercussão nas redes sociais. Moradores denunciam abandono, excesso de lama e precariedade, especialmente durante o inverno. Pessoas que foram sepultar entes queridos relataram enfrentar lamaçal, sujeira e dificuldades de acesso, descrevendo o cenário como indigno para um momento de despedida e sofrimento.

O vereador Elias da Construforte também levantou preocupações ambientais sobre o sistema de sepultamento adotado. Ele questiona se as covas possuem impermeabilização adequada, como concreto ou gavetas verticais seladas, para impedir que o necrochorume — líquido tóxico produzido na decomposição dos corpos — contamine o solo, o lençol freático e o Rio Parauapebas.

A preocupação se amplia devido à proximidade do rio, que integra áreas de abastecimento de água para regiões como Palmares Sul. Segundo o parlamentar, a falta de respostas claras da Secretaria Municipal de Meio Ambiente sobre o licenciamento e os métodos utilizados reforça a necessidade de investigação técnica rigorosa.

Enquanto a Secretaria Municipal de Urbanismo (Semurb) afirma trabalhar para melhorar a infraestrutura do espaço, cresce a pressão por transparência, fiscalização e soluções urgentes para garantir dignidade às famílias, correta aplicação dos recursos públicos e segurança ambiental para a população.

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