Um caso envolvendo a Prefeitura de Parauapebas e um município do Tocantins levanta questionamentos sobre acúmulo de cargos públicos e cumprimento de carga horária. A situação foi levada ao Ministério Público para apuração.
De um lado, está o município de Parauapebas. Do outro, Itaguatins, no Tocantins. No centro da polêmica, a servidora Taynah Silva Negreiro.
Ela ocupa, desde 6 de março de 2025, o cargo de motorista contratada na Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Parauapebas, com remuneração líquida de R$ 4.422. Ao mesmo tempo, é servidora concursada como técnica de enfermagem na Secretaria Municipal de Saúde de Itaguatins desde 18 de março de 2024, recebendo R$ 3.134 líquidos.
A questão que mobiliza o debate é objetiva: como conciliar uma carga horária de 40 horas semanais como motorista em Parauapebas com outras 40 horas semanais como técnica de enfermagem em Itaguatins, cidades localizadas em estados diferentes? Como prestar assistência na área da saúde no Tocantins e, simultaneamente, conduzir veículos oficiais na rede municipal de ensino no Pará?
Diante das denúncias, foi protocolada representação no Ministério Público para esclarecer se há compatibilidade de horários e legalidade no acúmulo das funções.
Em nota oficial, a Prefeitura de Parauapebas informou que a servidora exerce regularmente suas atividades na Semed, cumpre integralmente a carga horária prevista em contrato e possui folhas de ponto, registros administrativos e controle interno de frequência que comprovam o exercício da função. O município afirmou ainda que o pagamento corresponde exclusivamente aos serviços prestados e que não comenta atos administrativos de outras prefeituras.
Nas redes sociais, o assunto ganhou contornos de ironia: há quem diga que apenas a NASA poderia explicar a capacidade de estar em dois municípios ao mesmo tempo. A brincadeira reflete uma dúvida concreta da população: existe compatibilidade real de horários ou há falha grave de controle?
Enquanto o Ministério Público analisa a situação, o caso amplia a pressão sobre a administração municipal e reforça a cobrança por transparência rigorosa em contratações e vínculos funcionais. Em tempos de fiscalização intensa sobre gastos públicos, situações como essa colocam a gestão sob holofotes e exigem respostas técnicas, não apenas declarações formais.