Moradores do Complexo VS10, especialmente dos bairros Brasília, São Luís e Parque das Nações 1 e 2, manifestaram preocupação diante da possibilidade de implantação de um cemitério particular na região. Líderes comunitários, representantes de associações e moradores afirmam estar apreensivos e contrários ao projeto.
Segundo os representantes da comunidade, ofícios foram encaminhados às Coordenadorias de Terra, à Secretaria Municipal de Urbanismo (SEMURB) e à Secretaria de Saúde de Parauapebas solicitando esclarecimentos formais sobre a veracidade da informação e sobre a legalidade de eventual liberação para instalação do empreendimento.
No documento, os moradores pedem transparência quanto aos possíveis impactos ambientais, sanitários, urbanísticos e sociais. Caso a implantação esteja em andamento, a comunidade requer a apresentação de licenças ambientais emitidas pelos órgãos competentes, laudos técnicos das secretarias envolvidas, estudos de impacto ambiental e de vizinhança, além de alvarás e demais autorizações legais.
A preocupação central envolve riscos de contaminação do lençol freático. Estudos ambientais e geológicos indicam que o necrochorume, líquido liberado durante a decomposição de corpos, pode infiltrar no solo e atingir águas subterrâneas quando não há estrutura adequada ou quando o local não atende às normas ambientais.
Durante o processo de decomposição, são liberados cerca de 30 a 40 litros de necrochorume, composto por água, sais minerais e substâncias como cadaverina e putrescina. Com a infiltração da água da chuva nos túmulos, esse líquido pode ser transportado pelo solo até alcançar o lençol freático, formando plumas de contaminação que podem atingir poços artesianos utilizados para abastecimento da comunidade.
Moradores temem que a água consumida nas residências se torne imprópria para o consumo humano, além de apontarem receio quanto à desvalorização imobiliária na região. De acordo com a legislação ambiental, todo cemitério deve possuir Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO), conforme determina a Resolução 335/2003 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).
A comunidade afirma que o pedido de informações tem como objetivo garantir o direito à informação e assegurar que qualquer intervenção na área observe os princípios da legalidade, publicidade, precaução e interesse público.