A situação política do prefeito Aurélio Goiano é delicada. Em menos de dois anos de mandato, sua gestão passou a enfrentar duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e duas comissões processantes na Câmara Municipal de Parauapebas. Um cenário que chama atenção pela dimensão da pressão política e institucional sobre o governo.
A CPI da Educação investigará contratos, procedimentos administrativos e movimentações financeiras da Secretaria Municipal de Educação (Semed). A comissão será formada pelos vereadores Zé do Bode, Maquivalda, Laécio, Leandro Chiquito e Sadisvan. Entre os assuntos que deverão ser apurados estão transporte escolar, combustível, merenda, diárias, reformas e climatização das escolas.
A investigação ocorre em meio a reclamações sobre crianças assistindo a aulas debaixo de árvores, problemas nos aparelhos de ar-condicionado, dificuldades no transporte de estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) e críticas à alimentação escolar.
Já a CPI da Infraestrutura terá Maquivalda Barros, Fred, Laécio, Tito do MST e Graciele. A comissão investigará contratos, gastos e a qualidade das obras executadas pela Secretaria Municipal de Obras (Semob), incluindo serviços de pavimentação, reparos repetidos e aplicação dos recursos públicos.
Além das duas CPIs, a Câmara recebeu novamente, por oito votos a sete, duas denúncias contra o prefeito. A Denúncia 003/2026 trata de possíveis irregularidades em decretos de créditos suplementares que, segundo a acusação, não teriam sido publicados no Diário Oficial. A comissão processante será presidida por Sargento Nogueira, com Laécio da ACT como relator e Michel Carteiro como integrante.
A Denúncia 002/2026 aponta suposta falta de respostas a requerimentos de informação apresentados pelos vereadores. Nesse caso, Sadisvan Pereira presidirá a comissão, Leandro Chiquito será o relator e Alex Ohana completará o colegiado. O recebimento das denúncias permite o andamento das apurações, mas não significa condenação do prefeito.
O cenário é ainda mais emblemático quando se observa a trajetória política de Aurélio Goiano. Antes de chegar à Prefeitura, ele foi um dos vereadores mais críticos das administrações anteriores, especialmente do governo Darci Lermen. Fiscalizava obras, pressionava secretários, fazia denúncias públicas e prometia enterrar a Segov, a Secretaria Municipal de Governo. Na Educação, chegou a gravar vídeos denunciando as condições dos ônibus escolares. Na tribuna, cobrava providências em tom elevado e prometia uma administração com profissionais técnicos, honestidade e transparência.
Agora, o prefeito enfrenta uma situação que contrasta diretamente com o discurso que sustentou sua trajetória política. Duas CPIs e duas comissões processantes colocam sua administração sob forte pressão. É muita investigação para tão pouco tempo de governo.
O desfecho, porém, depende também da eleição para a Presidência da Câmara, na próxima terça-feira. Se o novo presidente for aliado de Aurélio Goiano, o movimento de vereadores da oposição e de parte do Centrão poderá perder força, comprometendo o andamento das investigações. A próxima terça-feira será decisiva para saber se as apurações terão continuidade ou ficarão apenas no papel.